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Publicado em 14/03/2017 às 12:00

CAIXA DOIS – PPS anuncia voto contrário à anistia e alerta que “regra só servirá para livrar quem está enrolado com a Lava Jato”

Líder do partido, Arnaldo Jordy, e o vice-líder, Rubens Bueno, se manifestam contrários e alertam para possíveis manobras no Plenário

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(Brasília-DF, 14/03/2017) A Bancado PPS na Câmara dos Deputados anunciou nesta terça-feira, 14, que votará contrária à anistia do caixa dois 2 em campanha eleitoral. Comenta-se nos bastidores do Congresso Nacional que há um movimento no sentido de articular uma proposta que anistie o crime de caixa dois.

 

Em coletiva á imprensa, o líder do partido, deputado Arnaldo Jordy (PA), declarou que a bancada não aceitará qualquer tipo de anistia, de forma a não penalizar aqueles que receberam recursos financeiros não registrados oficialmente em campanha eleitoral. Já o deputado Rubens Bueno (PR), ex-líder do PPS, alertou para as manobras em Plenário para aprovação do projeto.

 

Equívoco do Legislativo

Para Jordy, haverá um equívoco enorme do Legislativo Federal caso ele venha patrocinar um texto neste sentido, o que deixará a sociedade atônita e como uma única convicção: a regra só servirá para livrar aqueles que estão enrolados com a operação Lava Jato.

“Anistiar o caixa dois é oportunismo puro. É afrontar a população brasileira que aplaude as operações contra a corrupção e, aí se inclui o crime de caixa dois. E articular uma medida assim neste momento é uma forma de acabar com a Lava Jato, principalmente, num instante em que o Brasil está prestes a conhecer o teor da nova avalanche de delações de executivos da Odebrecht”, declarou o parlamentar.

Sem acordo

Segundo o líder, o PPS não participará, eventualmente se houver, de qualquer acordo com este objetivo. Jordy adiantou que a legislação em vigor é muito clara ao tratar do caixa dois de campanha e, para ele, o crime, por natureza, está conexo com diversos outros ilícitos penais. “Alguns tentam sustentar a tese de que nem todo dinheiro para campanha arrecadado de forma não oficial é oriundo da corrupção ou de outros crimes. E se é recurso lícito, por que não se contabilizou na Justiça Eleitoral? Não existe caixa dois limpo”, frisou Jordy.

Contra manobras

 

O deputado federal Rubens Bueno, por sua vez, rechaçou qualquer manobra em plenário para aprovação de um projeto que conceda anistia penal, civil e eleitoral para todos aqueles políticos que praticaram caixa 2 de campanha.

 

“A posição do PPS sempre foi muito clara. Há muito tempo somos contra qualquer tipo de anistia ao caixa 2, seja em que momento for. Defendemos a criminalização dessa prática e não admitimos que, em pleno andamento da Lava Jato e na véspera do procurador-geral da República pedir a abertura de novos inquéritos contra parlamentares, grupos tentem aprovar um perdão para quem já praticou esse ilícito”, protestou o parlamentar.

 

Perdão criminal

 

Bueno afirmou que nos bastidores fala-se inclusive em dar perdão criminal. “Isso poderia beneficiar diversos políticos e partidos investigados pela Operação Lava Jato. Não concordamos de maneira alguma com isso. Espero que não levem essa ideia adiante e, se levarem, vamos pedir a votação nominal para que cada parlamentar deixe claro o seu voto e nenhum resultado da votação fique na penumbra”, afirmou.

 

Para Rubens Bueno, ao colocar um projeto com esse teor na pauta do plenário a Câmara mostrará que não tem mais nenhum ponto de sintonia com a sociedade.

 

Lava Jato

 

“Não bastou a Lava Jato com tudo o que está acontecendo e o que está por vir. Parece que essa Casa não tem consciência da responsabilidade com o momento que estamos vivendo. Parece que nada disso serviu. Tem muito gente que não está ligando para o seu eleitorado e pensa apenas em aprovar uma medida para lhe blindar da punição por ilícitos que cometeu e, certamente, se aprovado um projeto deste, vai continuar cometendo”, alertou.

 

(Por Gil Maranhão – Agência Política Real. Edição Genésio Jr.)

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